Espírito de fim de ano. De natal e ano novo. Famílias felizes, jantando, as tias algumas vendo a novela outras cozinhando. Os tios, discutindo política, negócios e tomando cerveja. Os primos adolescentes que só se vêem nessas ocasiões, conversam 15 minutos. O assunto acaba e eles ficam quietos porque não conseguem acompanhar a conversa dos adultos. Os primos um pouco mais velhos, que não são nem adultos, nem adolescentes, os jovens, normalmente levam as namoradas e ficam dando atenção a elas. Depois que vão embora, normalmente antes da festa acabar, se tornam o assunto da noite das tias. Já as crianças ou estão correndo por toda a casa ou fazendo confusão e chorando. No fim das contas, todos estão falando alto, muito alto, brigando e aproveitando as festas de fim de ano. Quem não passa por isso?
Depois de anos e mais anos, as famílias insistem e fazer festas em conjunto. Milhões de quilos de carne, assados, lasanhas, strogonoffs, arroz e o velho, mas sempre presente, pavê. Pavê, o qual todos os anos, pelo menos 10 milhões de famílias do Brasil tem que escutar aquela piada engraçadíssima daqueeeele tio. Sim, o tio mala, odiado por todas as crianças da família. O que ninguém agüenta perto, que vai pra festa pra se acabar à custa do resto da família, acaba com a bebida alcoólica, fala mais alto que todo mundo, arranja confusão e só faz piadas de duplo sentido ou clássicas que ninguém ri. Ou melhor, tem que rir por educação. Pavê ou pacume?
Continuando a janta, temos a também sempre presente tia gorda que faz a maionese, esposa do tio careca, que faz o churrasco. Esses normalmente são os tios que são os mais bem aceitos por todos, afinal, eles simplesmente vão lá e fazem o seu prato sem se importar com o tio mala metendo o bedelho onde não sabem. Já as tias que não sabem cozinhar tão bem, levam sobremesas prontas, sorvete, bolo, pra não falar que não chegaram lá de mãos vazias. E a avó, comandante da cozinha, faz os melhores pratos da noite. Às vezes clássicos, que a família toda espera chegar o fim do ano só pra comer, ou até inovadores, que as tias da sobremesa pedem a receita, mas no fim das contas todos sabem que elas só querem puxar o saco da velha.
Na hora da janta. O primeiro problema é a falta de lugar. Mesa pra doze pessoas, e uns vinte presentes. Nesses casos, sempre tem a tia pioneira em pegar o prato, colocar no colo, em cima de uma almofada e ir sozinha pro canto da sala comer com a desculpa, “Ah, eu não me importo, deixa pras crianças comer na mesa”. O tio que tava no churrasco come na sacada mesmo, os jovens comem na mesa sem conversar com ninguém, só entre si e ficam com risinhos e fazendo comentários sobre tudo sem ninguém escutar nada, não esquecendo que de repente somem e sem ninguém perceber, apenas os adolescentes, visando conversar 5 minutos entre si pra tentar descobrir o que eles devem estar fazendo. Eles também repetem a janta três vezes. O tio mala fala que eles estão comendo tanto, pois estão em fase de crescimento. As crianças que a tia da almofada falou, comem dois pedaços de carne e largam o prato pra continuar correndo e arranjando confusão. E não comentei, mas acho que todo mundo do tio mala faz a piadinha de quem senta na ponta paga a conta.
Depois da janta – e da sobremesa feita pelas que não sabem cozinhar – vem, no caso do natal, a troca de presentes, independente se for amigo secreto ou simplesmente troca de presentes um para o outro, é sempre brinquedos para as crianças e roupa pro resto da família. Às vezes, nosso querido tio mala resolve dar um presente pra sacanear alguém, o que também não tem graça nenhuma. Só causa constrangimento de quem recebe.
No caso do ano novo, vão todos pra praia ver os fogos, que até é uma parte bonita da noite, pular as sete ondas, desperdiçar espumante jogando pro santo. Falar em santo, queria saber o tamanho da ressaca dele se bebesse tudo o que jogam pra ele nessas festividades. Na questão das ondas, a família toda de mãos dadas, pulando as ondas e o pior. As mesmas tias que fazem aquelas sobremesas de antes, na hora de pular as ondas, prometem que vão emagrecer pelo menos 5 quilos até o fim do ano. Umas prometem que desse ano não passa! Vão achar um marido. Dá pra entender? Depois, na volta, as tias, mães das crianças, voltam brigando com seus filhos porque se molharam inteiros na hora das ondas. Metade da família já ta bêbada, os namorados, acidentalmente se perdem no meio do caminho, todos voltam pra casa, jogam um pouco de conversa fora, vêem o fim do show da virada e por fim vão pras suas casas dormir pra começar maaais um ano e esperar que aconteça tudo isso no fim do ano que ta começando.
Bem no fim, é essa confusão que faz um fim de ano nas famílias. O motivo maior é essa coisa que existe, chamada de espírito de natal e ano novo, que é a harmonia entre todos, inclusive o tio mala, que é o que move todos para alcançar seus ideais no fim ano e tender a melhorar e melhorar cada vez mais.
Feliz Ano novo!
3 comentários:
BOA!
tio mala facts... kkkkkkkkkk
isso realmente acontece, cara.
hahahha adoreeei!
você é o cara mesmo
beijocas
hahahaha
não importa a família, a história é a mesma.
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