quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cartucho de Tinta

Sexta feira. Meu pai e minha mãe Resolvem comprar um cartucho de tinta pra impressora num buteco disfraçado de loja na galeria aqui na frente de casa. Começa então, uma série de incômodos!

O problema de comprar "ali mesmo..."é que nem sempre são lugares confiáveis. As pessoas podem nao saber realmente o que estao fazendo e as vezes até acabam croando um graaande problema.
Mesmo assim, aqui em casa insistem na ideia de andar menos e se encomodar mais.

Primeiro que o local da compra é uma salinha de uns 20m² escondida no subsolo da galeria, onde só tem restaurantes ao redor. Acho que o cheiro de gordura fez mal pra pequena diaba que trabalha lá. Ao que me parece, ela é a dona. Mas eu nunca vi clientes naquela loja. E olha que costumo frequentar os restaurantes por ali.

Mas continuando... Eu estava muito ocupado arrumando as coisas pra viajar na sexta feira pra prestar atençao aqui em casa. Entao nao percebi o problema. Mas na noite de domingo, percebi que a impressora começou a apitar como se tivesse dado erro. Minha mae chamou meu pai - que nao é lá grande conhecedor dos problemas relacionados a computadores - e ele, como ja era esperado, me chamou. Me explicaram toda a situaçao e eu resolvi dar uma olhada nos cartuchos. Ao comprar um com o outro, percebi que o que a mulher tinha vendido era diferente do qual meus pais queriam. Aí minha velha disse:
- Bom, Gustavo. Amanha voce vai lá trocar, porque nao funciona... Fala pra moça que na impressora tava escrito qupubdsidhsdinghisulhg- dlvfuhvdmfkjhdfbkjshblk..... - nao ouvi mais nada o que ela me disse pra fazer. Bem como, quem ta lendo esse texto nao ouve o que suas maes falam. Eu seeei. Nao adianta negar!

Mas entao... O saco de nao ter nada pra fazer da vida é que tudo é o Gustavo que tem que resolver nessa casa.

Aí, na segunda feira, vai lá o Gustavo até a loja. Com toda a paciencia do mundo, conversando com a moça:
- Entao, sexta feira meu pai e minha mae passaram aqui pra comprar um cartucho de impressora... mas como voce pode ver (mostrei um do lado do outro) eles são diferentes.
-Ah, é mesmo... Bom... Entao... O que posso fazer?! Nao tenho esse que voce quer aqui agora. Só vou receber amanha. Então o que posso fazer é recarregar o antigo e te dar o novo amanha. Mas vai ter uma diferença.
- Tá?! Pera lá. Voce quer tirar mais dinheiro de mim?! Foi voce quem errou. Eu nao tenho culpa disso. Recarrega o velho e me da a diferença do dinheiro.
-Certo. Mas eu estou sem dinheiro no caixa agora. Vou fazer uma nota pra voce e amanha passa aqui e pega o dinheiro. E dentro de uma hora voce pega o cartucho recaregado.

Uma hora depois....

-Oi, passei aqui agora pouco.
-Sim, sim, eu lembro... Então ta aqui o cartucho. E a nota... vamos ver... O novo custa 49, a recarga 25... Então tenho que te dar.... 25 com 10... 35, com 10.. quarent... 14 reais de troco?

Apesar de quase dar um tapa na mulher depois de ouvir as contas dela, eu apenas corrigi calmamente a pobre diaba que nem sequer concluiu o primario. Entao ela fez a nota de VINTE E QUATRO reais logico que isso aconteceu depois dela conferir na calculadora.

Tudo resolvido, voltei pra casa. A noite entreguei o cartucho pra minha mae e voltei pro computador... Pouco depois:
- GUSAAAAAAAAAVO!
- Ai meu deus... lá vem...
Ela me mostra na tela do computador uma pagina do word aberta com "TESTANDO - cor" varias vezes. Já a impressao....
TESTANDO - vermelho (saiu amarelo)
TESTANDO - azul (saiu verde)
TESTANDO - Laranja (amarelo tambem)
TESTANDO - Vermelho (verde tambem)

Refleti alguns instantes no ótimo trabalho que aquela topeira fez.
Lá vou eu terça feira, de novo

PASSEI LÁ TRES VEZES. às 15h, 16h, e 17:30h. E nas tres vezes estava um aviso escrito "Já volto". Me perguntei entao, porque será que ela nao tem dinheiro no caixa?

Na quarta feira, eu já de saco cheio dessa porra desse cartucho, fui lá de novo.

-Entao, passei aqui segunda... Você disse que ia me devolver os VINTE E QUATRO reais com o da recarga do cartucho... Mas como voce pode ver na minha folha de impressao (mostrei pra ela) acho que nao deu muito certo a tua recarga. Entao acho que o minimo que voce podia fazer é cobrar como recarga o cartucho novo. Afinal, foi isso que pedi pra voce fazer.

- Nao.
- Como nao!??!
- Hoje, vou verificar o que aconteceu e amanha o senhor pode vir aqui pegar o cartucho porque nao chegou ainda... Tenho 30 dias pra verificar o que aconteceu e nao sou obrigada a devolver o dinheiro nesse periodo de tempo. Pode ir no PROCON, pesquisar, fazer o que quiser. Eu nao vou te devolver o dinheiro por enquanto.

PIREI. Aguentar a mulher ser burra nao tem problema... Mas me passar a perna nao.

-Tá... Entao bem no fim eu que vou pagar pelo erro que voce fez?! Paguei 50 pila num cartucho e agora nao tenho nem ele nem a recarga... Era mais facil rasgar uma nota de 50. O problema nao é meu se voce nao conseguiu fazer teu trabalho direito. Nao posso ficar dependendo disso... Tenho que fazer impressoes importantes (mentira). E agora?! Como que fica?
- Venha aqui amanha e a gente resolve.

Sai da loja chutando tudo que tinha pela frente. E vi que ela tava é querendo me passar a perna. Mas nao ia deixar barato.
Fiz um telefonema. Ele... Amigo e estudante de direito com o qual havia comentado o ocorrido segunda.

-Lima, a mulher do cartucho quer me passar a perna. O que o codigo de direito do consumidor fala sobre serviço mal feito? dinheiro de volta?
-Sim... Faz assim, to indo pro centro... Daqui a pouco vou lá contigo e te ajudo.

Esperei ele chegar e fomos - com cara de mau - até a loja daquela vaca.

Lima:
-Entao, o meu irmao me ligou falando que a mae mandou ele ver o negocio do cartucho. Nao sei nem o que aconteceu. Só vim aqui porque se ele teve que me ligar é porque o negócio aqui tá serio. - Nessas alturas ele era tao membro da familia que tava quase passando o natal aqui em casa.
Mulher:
-Eu to no meu direito de ter trinta dias pra dar a devoluçao do dinheiro

Eu ja queria enfiar esses trinta dias lá onde voces tao pensando. Me controlei pra nao fechar o cacete com aquela mulher.
Lima:
- Não. A senhora nao tá no direito coisa nehuma. É apenas uma prestadora de serviços. E a partir do momento em que é contratada, tem apenas o direito de prestar serviços de qualidade prezando para que que fez o pedido nao saia no prejuizo. Porque se ele sair ou essa porcaria desse cartucho ficar mal feito, pode ter certeza que um precesso vai cair no teu colo daqui a no maximo tres dias. Conheço todas, todas, as pessoas que sao importantes e trabalham nos orgaos referentes a esse tipo de situaçao. Me basta um telefonema. E cá entre nós, acho melhor a senhora ficar com medo depois que eu pegar o meu celular.
Devolve o dinheiro pra ele, ou entao, faz um recibo referente a quantia do cartucho e ele vai poder comprar o que quiser com a nota.

Mulher - ja tremendo:
- É. Entao acho que vou fazer a nota e dar essa recarga de cortesia pra ele.

Quase dei a cortesia no meio da cara dela. Quem foi lá duzentas vezes?! Quem se estressou?! Quem vai ficar sem imprimir nada?!

Pelo menos ela fez a nota e no fim das contas ganhei o dinheiro pra gastar. Mas isso fica com o Palladini pai e com a Palladini mae... Porque depois que eu for lá amanha buscar o cartucho que ela ficou de recarregar, nao volto mais naquele boteco.

Só espero que dessa vez o vermelho realmente saia vermelho.

2 comentários:

Koehler disse...

tem dessas mesmo, cara!
estressa, mas fazer o que também né, podre diaba...
ASHDIAUHSDIUAHIUDASD
Abraço!

Marcela disse...

pobre diaba é ótimo..
imaginei o lima com cara de mau, assustando a coitada.. HAHAHA! acabasse com a minha produtividade, às 15 horas, e rindo tanto, que não consigo me concentrar no trabalho! :/
bons os teus textos..
Parabéns!
precisas publicar mais textos! ;)