sábado, 7 de março de 2009

Observações

Normalmente quando resolvo escrever algo, sempre faço isso antes de dormir, porque quase ninguém está na rua uma hora dessas e não tem por que eu me desconcentrar. E mesmo assim, sempre tem alguém gritando na rua, ou entra um no meu quarto, ou até mesmo o alarme de algum carro dispara e acabo esquecendo minha idéia.
Pra escrever faço sempre a mesma rotina. Chego ao quarto, abro a cortina e a janela para entrar uma leve brisa. Fecho a porta, apago a luz e acendo a luminária para que no quarto fique apenas o papel nítido. Abro a gaveta, pego a caneta preta e coloco no papel tudo o que penso.
Mas, como é de se esperar, novamente esqueci a idéia que tinha. Dessa vez me distraí com um cara na janela do prédio da frente. Não, não sou gay. Mas não pude de deixar de notar e acima de tudo, rir da cena que presenciei em função do tal homem.

Pelo que me pareceu ele - bem gordinho, por sinal - estava se mostrando sem camisa na webcam. Usava um fone de ouvido grande, estilo DJ, e a cada minuto escrevia algo o teclado. Tentava mostrar os músculos - que não tinha - pra impressionar alguém.

Nessas horas a gente acaba vento o tanto de loucos que temos por aí.

Se bem que acho bom observar as pessoas por ai. Além dos loucos vemos coisas boas também, como em um dia na biblioteca, vi uma menina sentada. Com lápis na mão, apostilas, livros, cadernos, todos abertos e espalhados. Fiapos de borracha cobriam parcialmente a mesa. Tinha olhos e concentração apenas para os estudos.
Só que apesar de tudo isso - e de seu apecto inteligente - me parecia confusa ao fazer os tais exercícios. Acho que não estava conseguindo achar a resposta. Aliás, nem ela nem todos os homens - inclusive eu - que não tinham concentraçao em mais nada a não ser nela. e nao era pra menos. Tinha os cabelos longos, morenos, que chegavam até a metade das costas. Seu rosto era marcante. Olhos que nao eram nem azuis nem verdes. Uma cor intermediária, muito atraentes. Parecia-me mais velha. em torno de uns dezenove, vinte anos.

Observei-a fazendo seus exercícios durante algum tempo até ela levantar os olhos e eu - por um ato de reflexo - baixar os meus.
Fazendo os exercicios mas com atençao voltada para a menina, fiquei pensando como ela me chamou atençao. Senti algo a mais. Eu sei que não a conhecia. Mas era mais fote que eu. Tinha que conversar com ela!
Quando levantei novamente os olhos e dei por mim, percebi que não estava mais lá. Onde teria ido? Será que me viu olhando para ela, ficou com medo e foi embora? Nem sou tão feio assim. Ela pode ter terminado o que tinha pra fazer... apesar que seus materiais ainda estão lá. Atentder o celular, conversar com uma amiga entre inúmeras outras hipóteses. Fiquei tentando entender onde ela estaria por um longo tempo e nada. Olhei ao meu redor. Não a encontrei.

Já estava desisitindo e pensando que tinha que retomar meus estudos quando ela passa por mim com uma garrafa de água nas mãos. Ainda bem que era só isso.

Sentou-se. Ajeitou suavemente com a ponta dos dedos, seus cabelos apenas para tirar os fios que atrapalhavam sua visão. Só pode ser provocação. Não há como aguentar isso. Tenho que puxar papo com ela. Mas o que?

Posso tentar pedir se ela conseguiu fazer um exercício qualquer, usando aquele velho discurso:

-"Oi, eu vi que você estava fazendo essa matéria. Pode me ajudar? Aliás, antes de qualquer coisa, meu nome é Gustavo. E o seu é?"

É um bom argumento. Apesar de que pra mim ela é mais velha, tem maturidade, e nao vai cair nessa conversinha de um mero muleque de desesseis anos. Antes de mais nada tenho que descobrir o que ela está estudando.

-"Oi, o que está estudando?"- Sem chance.

Posso pedir um pouco d'água pra ela. Mas tem agua lá fora e isso não é uma coisa que se pessa ainda mais pra alguém desconhecido. A única alternativa que me resta é pegar um livro qualquer na estante atras dela, e dar uma espiada. Depois falo com ela, dou uma enrolada e pronto. Infalível.

Coloquei então, meu plano em ação. Levantei e fui procurar um livro qualquer na estante. Na volta, desviei completamente o trajeto mais simples com o qual poderia chegar a minha cadeira. Só para vê-la mais de perto. Acho que não percebeu. Diferente de todos outros marmanjos dali, que, por sinal, ficaram me olhando torto.

Estava muito concentrada na Matemática. Acho que os primeiros vinte exercícios da apostila. Agora sim. é só ir pedir ajuda a ela e pronto.

Procurando na minha apostila, percebi que já havia feito essa aula. Nada mais apropriado que apagar metade e ir até ela. Apaguei até o sétimo. Pois acho que ela estava entre o 10 e o 12 e assim não ficaria tão na cara que eu estava simplesmente tentando seduzi-la.
Respirei fundo e olhei no relógio. Eram 16:27. Espero até às 16:35 pois assim consigo criar coragem pra chegar nela. Os minutos passaram como se fossem dias. Quando o ponteiro dos segundos alcançou o topo do relógio, respirei fundo novamente e levantei-me com os olhos fixos na minha musa. Projetei meu corpo até o corredor e, quando pensei que estava tudo dando certo, esbarrei em um cara que passava por mim.

-Desculpe, cara! - eu disse.
-Não foi nada... Pode ir, velhinho. - respondeu dando sinal para eu ir à frente dele.

Por um instante esqueci a moça e pensei que pelo menos ainda existe um pouco de gente civilizada nesse mundo.
À medida que me aproximava dela, meu coração estava batendo cada vez mais forte. Comecei a transpirar e minha respiração foi ficando ofegante. Quando estava chegando pertinho, vi que ela olhou em minha direção com um sorriso de orelha a orelha. Levantou-se da cadeira num pulo. E estava vindo até mim com pressa, quase correndo. Eu não estava acreditando. Aproximava-se, mais e mais, até que, quando estava na minha frente, desviou-se, e abraçou o cara com quem havia esbarrado há pouco e envolveu-lhe com um beijo caloroso.

- Oi meu amoooor! Que bom que viesse! - disse ela com uma voz serena e sotaque florianopolitano.

Não tive reação. Voltei à minha cadeira e vi a tal moça pegar os materiais e ir de mãos dadas com o seu namorado até a saída, sem sequer me notar. Foi então que parei, pensei e analisei: Tinha apagado metade dos meus exercícios já feitos, perdi metade do meu dia olhando para a mulher, e chegou um cara qualquer e me tirou ela. O que um rabo de saia não faz, né?
Em resumo, para lembrar pra sempre: Nunca mais gostar de nenhuma mulher na biblioteca!
Apesar de que aquela loirinha que ta na mesa do lado é linda, não acham?

6 comentários:

Felipe disse...

Toma vergonha na cara rapá! VC ja ta comprometido!

camila disse...

ai ai ai guuu!
hahahaha beeem sua carinha né fazer isso!!!
homens homens, sempre babaaaaando né! hahhahhaa mas só olha pq pegar mesmo neem pea né! ;x HAHAHAHAH

ma1u disse...

ééé raaaapa! COMPROMETIDO!
ahuahauhauhauhau nossa palla, vc ta me surpreendendo, ta escrevendo muito bem. Parabéns =)

Negao disse...

muito bom sr. palladinii!!
e toma vergonha nessa cara
!!!
VC JA TA COMPROMETIDO!!

Fernando disse...

o po, ja tais comprometido !!!! !;x
porra, mas que bad eim...auheuahe

carol.dalmas disse...

você manda muito bem palla.
e juízo né pia, hahahahahaha
que saaaaaaudades