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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Depois de ter dormido metade da tarde de ontem, de ter tomado um banho de piscina no vizinho e não ter feito nada digno de um bom resultado esperadona prova, você se vê diante de um problema. A hora chegou.
Seis questões. Três em cada lado da folha. Sem direito a um espaçinho pra desenhar atrás. Simplesmente não tem alternativa. A saída é ir com raça, com fé. Inclusive, nessas horas é que se começa a fazer promessas e, quem sabe, até reza!
- Papai do céu, eu nunca pedi nada antes pra você. Aliás, eu nunca rezei na minha vida, mas to sentindo que é agora que to precisando de ajuda. Dê-me uma luz, por favor, Senhor!
É isso o que sua mente pensa sobre essa situação.
Questão 1: Cite quais os fatores que influenciaram às... - Nem adianta terminar de ler essa. Não sei mesmo. Próxima.
Questão 2: Quem foi o grande responsável pela... – Pula também.
Só que essa eu tenho que saber né, uma pelo menos.
Questão 3: Qual o período em que... - SOCOOOOOOORROOO!!!!!
Questão após questão, sua consciência começa a pesar cada vez mais e falar coisas do tipo: "Por que não estudei ontem?" ou "Estava um dia tão propício pra estudar". Além disso, vem outro fator. O desespero. Simplesmente não há saída senão ir à luta atrás de ajuda dos amigos.
Ao olhar ao redor, você nota que só tem gente concentrada na prova, escrevendo incessantemente e com convicção. Ninguém sequer nota o seu problema. E agora?
- Papai do céu, lembre-se de mim! Eu fui um menino bonzinho o ano todo.
É nessas horas que há uma tentativa de puxar pela memória as aulas que teoricamente assistiu. Na primeira, a única coisa que vem é a tentativa de jogar Stop com a letra K. Na segunda, os bilhetinhos contando historias do final de semana que você não saiu de casa. E não adianta continuar com isso que vai ser impossível lembrar de algo.
DEEEEEEEEEEEEEEEEUS! OLHA AQUI PRA MIM, BICHO! TO PRECISANDO!!!
A busca por respostas começa a incomodar metade da sala. Psius se tornam repetitivos. A movimentação no seu lugar é intensa. Enquanto você não conseguir pelo menos uma resposta você não vai parar de pentelhar. Tenta chamar atenção dos outros derrubando as coisas da mesa, chutando a carteira, fazendo barulhos estranhos, emprestando a borracha sem ninguém pedir, enfim, inúmeros jeitos. Eis que;
- Ei, se concentre na prova senão eu tiro ela e dou zero - diz o professor.
Essa é aquela típica ameaça que professor faz, mas nunca põe em prática. Se bem que o que adianta? Vou tirar isso de qualquer jeito.
Mais pessoas começam a se levantar e entregar.
-Mais dez minutinhos, pessoal. Vamos agilizar aí!
Queeeee papai do céu o caralho... Isso ai é tudo besteira!
O jeito são respostas "Chuck Norris". Afinal, dizem que se colocar isso na resposta, ela está certa.
No entanto, como se fosse mágica, a menina sentada na carteira de atrás, aquela que tem uma quedinha por você e a vida inteira foi rejeitada por todos, deixa um bilhetinho no seu ombro com todas as questões feitas.
Não é todo dia que se tem uma sorte dessas.
Papai do céu! Eu te amo!
Copia tudo, entrega a prova como se tivesse estudado alguma coisa. E, como se não quisesse nada, sai da sala com um sorriso de “Fui bem na prova sem estudar!” o problema é saber o que a menina quer de "recompensa" por ter ajudado.