2 comentários quarta-feira, 22 de abril de 2009

- Boa prova turma.

Depois de ter dormido metade da tarde de ontem, de ter tomado um banho de piscina no vizinho e não ter feito nada digno de um bom resultado esperadona prova, você se vê diante de um problema. A hora chegou.
Seis questões. Três em cada lado da folha. Sem direito a um espaçinho pra desenhar atrás. Simplesmente não tem alternativa. A saída é ir com raça, com fé. Inclusive, nessas horas é que se começa a fazer promessas e, quem sabe, até reza!

- Papai do céu, eu nunca pedi nada antes pra você. Aliás, eu nunca rezei na minha vida, mas to sentindo que é agora que to precisando de ajuda. Dê-me uma luz, por favor, Senhor!
É isso o que sua mente pensa sobre essa situação.
Então, concentra-se
- Não vai ser tão dificil assim. Eu sei a matéria.

Questão 1: Cite quais os fatores que influenciaram às... - Nem adianta terminar de ler essa. Não sei mesmo. Próxima.
Questão 2: Quem foi o grande responsável pela... – Pula também.
Só que essa eu tenho que saber né, uma pelo menos.
Questão 3: Qual o período em que... - SOCOOOOOOORROOO!!!!!

Questão após questão, sua consciência começa a pesar cada vez mais e falar coisas do tipo: "Por que não estudei ontem?" ou "Estava um dia tão propício pra estudar". Além disso, vem outro fator. O desespero. Simplesmente não há saída senão ir à luta atrás de ajuda dos amigos.
Ao olhar ao redor, você nota que só tem gente concentrada na prova, escrevendo incessantemente e com convicção. Ninguém sequer nota o seu problema. E agora?

- Papai do céu, lembre-se de mim! Eu fui um menino bonzinho o ano todo.

É nessas horas que há uma tentativa de puxar pela memória as aulas que teoricamente assistiu. Na primeira, a única coisa que vem é a tentativa de jogar Stop com a letra K. Na segunda, os bilhetinhos contando historias do final de semana que você não saiu de casa. E não adianta continuar com isso que vai ser impossível lembrar de algo.
A partir daí colar é a única ação que você pensa em fazer.
Só que aquele cara chato que ninguém gosta, cdfzinho da sala, já está entregando a prova. E você nem começou!

DEEEEEEEEEEEEEEEEUS! OLHA AQUI PRA MIM, BICHO! TO PRECISANDO!!!

A busca por respostas começa a incomodar metade da sala. Psius se tornam repetitivos. A movimentação no seu lugar é intensa. Enquanto você não conseguir pelo menos uma resposta você não vai parar de pentelhar. Tenta chamar atenção dos outros derrubando as coisas da mesa, chutando a carteira, fazendo barulhos estranhos, emprestando a borracha sem ninguém pedir, enfim, inúmeros jeitos. Eis que;
- Ei, se concentre na prova senão eu tiro ela e dou zero - diz o professor.
Essa é aquela típica ameaça que professor faz, mas nunca põe em prática. Se bem que o que adianta? Vou tirar isso de qualquer jeito.
Mais pessoas começam a se levantar e entregar.

-Mais dez minutinhos, pessoal. Vamos agilizar aí!

Queeeee papai do céu o caralho... Isso ai é tudo besteira!

O jeito são respostas "Chuck Norris". Afinal, dizem que se colocar isso na resposta, ela está certa.
Suas esperanças já eram escassas. O zero era iminente. Na mente, até ouvia a sua mãe falando: isso é nota que se tire? Você vai reprovar desse jeito. Eu vou te tirar daquele colégio. To pagando pra que? Também comentaria com todas as vizinhas da sua nota. Um mês de castigo e bla blá blá. Aquela historia chata.
No entanto, como se fosse mágica, a menina sentada na carteira de atrás, aquela que tem uma quedinha por você e a vida inteira foi rejeitada por todos, deixa um bilhetinho no seu ombro com todas as questões feitas.
Não é todo dia que se tem uma sorte dessas.

Papai do céu! Eu te amo!

Copia tudo, entrega a prova como se tivesse estudado alguma coisa. E, como se não quisesse nada, sai da sala com um sorriso de “Fui bem na prova sem estudar!” o problema é saber o que a menina quer de "recompensa" por ter ajudado.
Mas isso é assunto para outro dia.

6 comentários domingo, 5 de abril de 2009

- Tchau filho, to indo trabalhar, estude hein!
Parece que as mães têm um radar quanto a provas, não?

Depois da aula extremamente chata de manha e almoçar um prato de arroz e feijão de quase um quilo, em um dia que fazia 38°C na sombra, com um Sol de rachar lá fora, você chega em casa, vai até o quarto e liga o ventilador para dar uma refrescada no ambiente. Senta-se na escrivaninha pra estudar com aquele ventinho direto em nas suas costas, como a brisa de fim de tarde da praia.
Não tem sensação melhor. Abre a agenda, pensando: "não tem nada hoje, então, vou descansar a taaarde inteira!".
Ao examinar, nota que tem um recadinho bem animador:

"Prova de História. Capítulos 21, 22 e 23. Páginas 135 até 169"

Só de olhar pra uma coisa assim já dá sono.
Falar em sono, ao abrir o livro e ler os dois primeiros parágrafos, parece que você ouve a sua cama te chamando:
- Veeeenha, veeeeeeeenha, deite aqui
A tentativa de resistir é forte. Tanto que ir até a cozinha e pegar um copo d'água é um meio de tentar esquecer-se do que a cama falava.
Ao voltar, retoma-se a leitura com um só objetivo: ir bem na prova de amanha.
Depois de cinco minutos, novamente a cama começa a fazer um diálogo com você e dessa vez não tem como resistir, afinal, e contando com os dois anteriores a leitura só fluiu nos três primeiros parágrafos.
Ao olhar o relógio que marca 13:38 e você pensa que vai dormir só uns quinze ou vinte minutinhos. Ou melhor, até as duas da tarde. só pra aguentar o estudo.

Ao acordar, às 16:33, você se vê desesperado. "Merda! Dormi demais". Essa é a primeira coisa que vem a sua cabeça. Levanta-se num pulo e vai até a sua mesa onde o livro de História te espera.
Meia hora depois, ao se distrair um pouco com o que estala fora, você sente que o dia de hoje é um convite pra sair de casa. Ainda mais se o destino é a piscina de um amigo, que mora duas quadras da sua casa. Lá da pra ficar um tempo, se refrescar, aproveitar esse dia. E bem no fim, acaba indo até lá, fazer uma visitinha pra ele.

18:32 - Ao chegar em casa, depois de uma hora de piscina, você chega em casa com os dedos murchos e com medo de sua mãe já estar lá, te esperando, e descobrindo que a tarde de estudos não foi mais do que dormir e se refrescar. Um pé apos o outro constata-se que não tem ninguém em casa. Toma um banho rápido, esconde as roupas molhadas da piscina, abre um ou dois livros, faz uns farelos de borracha na mesa e deixa um ou dois lápis espalhados, provando assim que você estudou a tarde inteira.
Depois de deixar essas evidencias, dado o tempo de você sentar no sofá e ligar a TV que sua mãe chega cheia de compras e sacolas do mercado. Ela deixa tudo na mesa da cozinha diz oi pra você e pede:

- E ai filho? Estudou?
- Claro né, mãe. Mas agora eu to dando uma descansada... Historia é muito chato.

Então, já que você se diz cansado, vai até o computador, fazer a coisa mais útil do dia... Entrar no Orkut. Fica duas horas navegando naquela porcaria de site, até ler uma frase do tipo "Saia do Orkut e vá ler um livro". É nessas horas que a sua consciência começa a pesar e que nota-se que é hora de estudar, seu vadio.

Ao tomar a iniciativa de tirar o atraso da tarde, sua mãe chama pra jantar. Toma um café, come umas besteiras que ela trouxe do mercado, dai vai tomar um banho, sai de lá e vai ver TV, novela, big brother - que tem tanta cultura quanto o Orkut - e finalmente vai dormir. Sem sequer lembrar-se da prova.

No outro dia, cedo, e vem a cabeça a sensação de "to fudido".
Até chegar ao colégio você não para de pensar nisso. A prova é na primeira aula! Não tem como escapar. O que vai acontecer? SOCORRO!

Então os pensamentos começam a apelar pra fatalidade:
Vai ter um problema no arquivo da prova e não vai abrir, o Xerox não vai funcionar, o professor vai sofrer um acidente. Em casos extremos, a ideia era fugir do colégio. Ou fingir-se de doente. Pular o muro era a ultima opçao.
Ao chegar na sala, encima da hora, não tem o que fazer.
O professor com um maço de folhas na mão. Sobe uma angustia. Mãos começam a tremer, suor frio, o coração começa a bater mais forte e o nervosismo está a mil.
Aquele palhaço daquele professor vai entregando e vem na cabeça que agora é tudo ou nada!
- Boa prova! – diz o professor.

BOA PROVA O CACETE!

(continua...)

6 comentários sábado, 7 de março de 2009

Normalmente quando resolvo escrever algo, sempre faço isso antes de dormir, porque quase ninguém está na rua uma hora dessas e não tem por que eu me desconcentrar. E mesmo assim, sempre tem alguém gritando na rua, ou entra um no meu quarto, ou até mesmo o alarme de algum carro dispara e acabo esquecendo minha idéia.
Pra escrever faço sempre a mesma rotina. Chego ao quarto, abro a cortina e a janela para entrar uma leve brisa. Fecho a porta, apago a luz e acendo a luminária para que no quarto fique apenas o papel nítido. Abro a gaveta, pego a caneta preta e coloco no papel tudo o que penso.
Mas, como é de se esperar, novamente esqueci a idéia que tinha. Dessa vez me distraí com um cara na janela do prédio da frente. Não, não sou gay. Mas não pude de deixar de notar e acima de tudo, rir da cena que presenciei em função do tal homem.

Pelo que me pareceu ele - bem gordinho, por sinal - estava se mostrando sem camisa na webcam. Usava um fone de ouvido grande, estilo DJ, e a cada minuto escrevia algo o teclado. Tentava mostrar os músculos - que não tinha - pra impressionar alguém.

Nessas horas a gente acaba vento o tanto de loucos que vemos por aí.

Se bem que acho bom observar as pessoas por ai. Além dos loucos vemos coisas boas também, como em um dia na biblioteca, vi uma menina sentada. Com lápis na mão, apostilas, livros, cadernos, todos abertos e espalhados. Fiapos de borracha cobriam parcialmente a mesa. Tinha olhos e concentração apenas para os estudos.
Só que apesar de tudo isso - e de seu apecto inteligente - me parecia confusa ao fazer os tais exercícios. Acho que não estava conseguindo achar a resposta. Aliás, nem ela nem todos os homens - inclusive eu - que não tinham concentraçao em mais nada a não ser nela. e nao era pra menos. Tinha os cabelos longos, morenos, que chegavam até a metade das costas. Seu rosto era marcante. Olhos que nao eram nem azuis nem verdes. Uma cor intermediária, muito atraentes. Parecia-me mais velha. em torno de uns dezenove, vinte anos.

Observei-a fazendo seus exercícios durante algum tempo até ela levantar os olhos e eu - por um ato de reflexo - baixar os meus.
Fazendo os exercicios mas com atençao voltada para a menina, fiquei pensando como ela me chamou atençao. Senti algo a mais. Eu sei que não a conhecia. Mas era mais fote que eu. Tinha que conversar com ela!
Quando levantei novamente os olhos e dei por mim, percebi que não estava mais lá. Onde teria ido? Será que me viu olhando para ela, ficou com medo e foi embora? Nem sou tão feio assim. Ela pode ter terminado o que tinha pra fazer... apesar que seus materiais ainda estão lá. Atentder o celular, conversar com uma amiga entre inúmeras outras hipóteses. Fiquei tentando entender onde ela estaria por um longo tempo e nada. Olhei ao meu redor. Não a encontrei.

Já estava desisitindo e pensando que tinha que retomar meus estudos quando ela passa por mim com uma garrafa de água nas mãos. Ainda bem que era só isso.

Sentou-se. Ajeitou suavemente com a ponta dos dedos, seus cabelos apenas para tirar os fios que atrapalhavam sua visão. Só pode ser provocação. Não há como aguentar isso. Tenho que puxar papo com ela. Mas o que?

Posso tentar pedir se ela conseguiu fazer um exercício qualquer, usando aquele velho discurso:

-"Oi, eu vi que você estava fazendo essa matéria. Pode me ajudar? Aliás, antes de qualquer coisa, meu nome é Gustavo. E o seu é?"

É um bom argumento. Apesar de que pra mim ela é mais velha, tem maturidade, e nao vai cair nessa conversinha de um mero muleque de desesseis anos. Antes de mais nada tenho que descobrir o que ela está estudando.

-"Oi, o que está estudando?"- Sem chance.

Posso pedir um pouco d'água pra ela. Mas tem agua lá fora e isso não é uma coisa que se pessa ainda mais pra alguém desconhecido. A única alternativa que me resta é pegar um livro qualquer na estante atras dela, e dar uma espiada. Depois falo com ela, dou uma enrolada e pronto. Infalível.

Coloquei então, meu plano em ação. Levantei e fui procurar um livro qualquer na estante. Na volta, desviei completamente o trajeto mais simples com o qual poderia chegar a minha cadeira. Só para vê-la mais de perto. Acho que não percebeu. Diferente de todos outros marmanjos dali, que, por sinal, ficaram me olhando torto.

Estava muito concentrada na Matemática. Acho que os primeiros vinte exercícios da apostila. Agora sim. é só ir pedir ajuda a ela e pronto.

Procurando na minha apostila, percebi que já havia feito essa aula. Nada mais apropriado que apagar metade e ir até ela. Apaguei até o sétimo. Pois acho que ela estava entre o 10 e o 12 e assim não ficaria tão na cara que eu estava simplesmente tentando seduzi-la.
Respirei fundo e olhei no relógio. Eram 16:27. Espero até às 16:35 pois assim consigo criar coragem pra chegar nela. Os minutos passaram como se fossem dias. Quando o ponteiro dos segundos alcançou o topo do relógio, respirei fundo novamente e levantei-me com os olhos fixos na minha musa. Projetei meu corpo até o corredor e, quando pensei que estava tudo dando certo, esbarrei em um cara que passava por mim.

-Desculpe, cara! - eu disse.
-Não foi nada... Pode ir, velhinho. - respondeu dando sinal para eu ir à frente dele.

Por um instante esqueci a moça e pensei que pelo menos ainda existe um pouco de gente civilizada nesse mundo.
À medida que me aproximava dela, meu coração estava batendo cada vez mais forte. Comecei a transpirar e minha respiração foi ficando ofegante. Quando estava chegando pertinho, vi que ela olhou em minha direção com um sorriso de orelha a orelha. Levantou-se da cadeira num pulo. E estava vindo até mim com pressa, quase correndo. Eu não estava acreditando. Aproximava-se, mais e mais, até que, quando estava na minha frente, desviou-se, e abraçou o cara com quem havia esbarrado há pouco e envolveu-lhe com um beijo caloroso.

- Oi meu amoooor! Que bom que viesse! - disse ela com uma voz serena e sotaque florianopolitano.

Não tive reação. Voltei à minha cadeira e vi a tal moça pegar os materiais e ir de mãos dadas com o seu namorado até a saída, sem sequer me notar. Foi então que parei, pensei e analisei: Tinha apagado metade dos meus exercícios já feitos, perdi metade do meu dia olhando para a mulher, e chegou um cara qualquer e me tirou ela. O que um rabo de saia não faz, né?
Em resumo, para lembrar pra sempre: Nunca mais gostar de nenhuma mulher na biblioteca!
Apesar de que aquela loirinha que ta na mesa do lado é linda, não acham?

3 comentários sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Como muita gente sabe, esse ano, houve um pequeno incidente envolvendo troca de informações sobre gabaritos de provas no sistema Bom Jesus de ensino.
Sim. Fui eu quem passou o gabarito da prova!
Não é novidade pra quase ninguém. Meia Caçador e meia Florianópolis sabe disso. Inclusive os professores. Poderiam ter me expulsado, pois como todos sabiam que eu tinha feito isso, tinham mais do que provas concretas para pedir que eu me retirasse do colégio.
O que ocorreu foi que no meio da aula, me ligaram pedindo se eu já tinha feito a prova daquele dia, e avisando que a unidade Aurora ia fazer nas duas ultimas aulas ao invés das duas primeiras.
90 e poucos por cento de acerto na prova de uma sala que não tinha a mínima noção de física.
Não fiz de má fé. Sabia da situação daquela sala quanto à física e fiz isso sim, pois são meus amigos e a sala com quem estudei uns 13 anos junto. Quem é que não faria algo do gênero para ajudar os amigos?
Só que esse texto não serve pra me entregar, e sim mostrar o quanto são hipócritas aquela gentinha que se diz coordenação do colégio. Não desmerecendo todos, mas sempre tem as ovelhas negras né, nesse caso, poucos que se salvam daquele ninho de cobras.
Antes de mais nada, gostaria de perguntar, qual é o tipo de idiota que tem a idéia de mandar provas objetivas, durante o ano inteiro, para todas as unidades da rede esperando que não haja troca de informações entre as suas tãão queridas unidades.
Mas não pensem que as trocas de informações ficaram só entre as unidades. Soube também de alguns que roubaram os gabaritos na mesma época em que fiz o que descrevi acima. Sorte a de quem roubou que já conseguiu se livrar dessa porcaria de sistema!
Então, o sabe-tudo do diretor, ou gestor, como chamam, resolveu tirar suas próprias conclusões e dizer que o novo aluno, vindo da unidade Aurora, estava seeeempre passando informações de cá para lá e vice versa, caracterizando que não tem confiança que os professores dali vão conseguir ensinar direito para seus queriiiidos alunos.
E então é isso, literalmente não confiam nos seus alunos, e eles só conseguem ir bem nas super provas do CEP por desonestidade? É isso? Ou essa foi a desculpa usada para não mostrar que esse é um colégio medíocre que não consegue preparar os alunos para concorrer a universidades publicas.
E o pior de tudo é que pelas costas dos alunos, eles ficam fofocando pelos cantos quem que presta e quem não, tirando conclusões precipitadas e mal feitas, sem direito a resposta da pessoa!
Deveriam ter me expulsado de uma vez, pra mostrar que o Super-colégio é quem manda.
Quem estiver lendo isso aqui, que vá para um colégio de verdade, com pessoas de caráter. E não uns e outros que pensam que são profissionais de verdade! Hipócritas!

3 comentários domingo, 25 de janeiro de 2009

Sexta feira, à noite, você se encontra sozinho em casa. O que fazer? Pode ficar ali mesmo, sentado no sofá numa posição clássica: perna estendida no sofá inteira e a outra dobrada. Controle remoto na mão, passando por todos os canais possíveis da TV, sem nenhum resultado bom esperado.
Mas é sexta feira! Sair à noite seria uma boa idéia. Sair dançar em alguma festa por ai, achar alguém pra acompanhar, ter uma festa boa. Mas ah, sábado é dia de fazer isso. Sexta é dia de sair com os amigos por ai, dar umas voltas de carro, parar em algum lugar, tomar uns tragos, enfim, sair de casa sem o que fazer.
Vou ligar pro Motta, meu melhor amigo, pra ver o que ele vai fazer hoje.
(...)
Boa Motta. Celular pra bonito. Vou ligar pro Douglas. O amigo do Motta, que apesar de não ter muito contato com ele, é uma boa pessoa. Dá pra sair com ele.

- Alô?!
- Grande Douglas! Tudo certo? Cara, eu to sem nada pra fazer e não consegui falar com o Motta. O que voc...
- Quem é?
- Como assim, meu?! É o Alex, amigo do Mott...
- Antes de tudo, aqui quem fala é o Luís e não o tal do Douglas.
- Hum... Você tem certeza que é o dono desse celular?


De volta na mesma, sentado no sofá parecendo o Homer Simpson aqui. Mas... Já sei vou ligar pra ela!

- Pri? O que vai fazer hoje? Ah, ok então... Bom jantar com o seu namorado.

Mas tenho mais alternativas.

- Dani? - Viajando...?! Ok, obrigado

- Peter? - ok, ligo outra hora...

- Ana? – Não, não... Não precisa deixar recado nao
O que me sobra é o velho e companheiro sofá. E uma única pessoa. Ligo pra ele? Mas é muito chato. Por um lado ele não terá nada pra fazer porque ninguém vai com a cara dele. Por outro, ficar no sofá vai ser menos entediante que sair com ele. Mas quem é que fica em casa numa sexta-feira?! Não tem motivo pra não sair de casa. Acho que não vai ser tão ruim.
- Olavo? Alex falando.
- Ooooo cara! Quanto tempo que você não ligava hein.
- Pois é né... - Nunca liguei pra ele - Mas e ai? Têm planos pra hoje?
- Não, mas eu conheço um barzinho show de bola. Vamos lá?
- Olha, foi pra isso que te liguei - comentei pensando como ele é chato.
- Muito bem. Passo aí na tua casa em meia hora.
Após um banho tentando esfriar a cabeça sobre a idéia e entender quem é que fala "show de bola", esperei alguns minutos até tocar o interfone.

No Hall do prédio.
- Grande Alex!
- E aí Olavo. Tem certeza que o teu lugar ai é bom? Espero que você não esteja me enrolando. Onde é?
- Cara, é aquele barzinho show de bola que tem perto da minha casa... O Amarelinho. Sabe?
- Acho que não sei não...
- Pois não vai se arrepender.

Na ida, dentro do carro dele, conversávamos tanto quando dois mudos trocam idéias. Ouvíamos uma rádio que me parecia amadora. Não prestei muita atenção no caminho.
- Legal essa musica, hein - arrisquei.
- Sim. É muito boa. Tenho um primo que tem uma banda e já vi ele tocando essa musica.
- Ah... Legal hein... Que... Que... Que bom pra ele.

À medida que nos aproximávamos do tal barzinho show de bola, ia sentindo que cada vez mais queria voltar pro meu sofá. A impressão que tinha do Amarelinho é que seria o point das Sextas-feiras. Casais de amigos conversando e rindo, onde homens reclamavam de suas parceiras e elas, sem perder tempo, reclamando das meias sujas no meio da sala, da toalha molhada na cama ou até mesmo da calvície que estava começando a atingi-los. O local possuiria mesas ajeitadas, pregadas no chão e com um mármore redondo em cima. A música eram os clientes que escolhiam e seis ou sete garçons treinados para servir tão bem os clientes que eles sairiam até nossos amigos.
Ao chegar lá, percebi que tinha me equivocado na idéia do bar. Senti que minha pior sexta feira estava começando. em frente à porta do bar, duas mulheres que achei que iam nos recepcionar, vieram nos oferecer um programa. Entrei rápido antes que Olavo se perdesse nas curvas daquelas mulheres.
Ao chegar na parte interna do bar, as mesas de plástico amarelas como o bar tinham o logotipo da Sol encima, caracterizando um legitimo buteco. Sentamo-nos em uma mesa no meio do lugar. Eu escolhi lá, pois as moscas estavam concentradas mais pra frente, perto da cozinha. O garçom veio até nós:
- E aí Olavão. Há algum tempo que você não aparece aqui hein. Trouxe outro amigo pra te carregar pra casa de novo é?! Que da ultima vez foi difícil.
- Não me queime, cara! - Comentou o "Olavão" com um sorriso idiota na cara - traga aquela geladinha esperta pra nós dois, Carlão.
Pare e pense: Quem é que nesse tipo de lugar pede uma "geladinha esperta" pro "Carlão"?! Cada expressão que esse Olavo usa que nem pra rir servem.
Ao chegar a cerveja, percebi que o copo do Olavo ainda tinha uma marca de batom mal lavado.
- Olav...
- E aí Alex, o que você achou da alta do dólar?
- Ruim... Mas eu queria te avis...
- Nesses tempos de crise o mundo está cada vez mais louco não acha?
- Sim, mas...
- Acho que vou abrir uma empresa pra tentar ganhar um dinheirinho. Nunca sabemos o dia de amanha. Li em algum lugar que um cara achou uma oportunidade de empreg...
- OK OLAVO - Falei alto - Não estou me sentindo muito bem. Acho que vou pra casa.
- Deixa disso, cara. Hoje é sexta feira. Além disso, estamos em um bar tão agradável como esse.
- Não. Me sinto melhor indo pra casa, descansar.
- Eu te levo então... Mas paga essa gelada que eu to duro.
- Faz assim então. Lava esse teu copo... Porque acredito que essa marca de batom não seja sua. Boa noite.

Sai e aquelas mulheres vieram pra cima outra vez. Com um batom vermelho, cara branca de tanta maquiagem, e a barba por fazer, achei melhor correr atrás de um taxi.
Após um prejuízo de uns trinta e poucos reais com taxi, sentei-me no sofá, e cheguei à conclusão que quando não tem ninguém pra acompanhar você na noite, não apele pra ninguém e fique em casa.
Já estava quase dormindo, quando toca meu celular. Motta.
- Ligou Alex?
- Sim, mas...
- Você não vai acreditar - Interrompeu - Acho que a noite que tive hoje foi a melhor do mundo. Pena que você não estava junto. O que fez hoje?

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

2 comentários terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Férias. Acostumado a dormir tarde sem qualquer motivo.
Parecia uma noite como outra qualquer. Na hora de dormir, fecha-se a porta do quarto, pega um livro, que é para passar o tempo durante as ferias. Lê-se uns pares de capítulos esperando o sono chegar, se apaga a luz, e dorme. Simples. Mas por ironia, o livro termina e o sono não chegou.
O melhor a fazer é deitar na cama e esperar o sono chegar.
Deita-se, e fica rolando, se um lado para o outro, sem resultado nenhum.
O tempo passa e nada acontece.
Que calor nessa cama. Acho que vou abrir a janela. Mas se abrir vão entrar mosquitos e eu não vou conseguir dormir. Mas se eu não abrir, vão continua com calor e também não vou conseguir. O que fazer?
Você tenta se acalmar, mesmo com calor nessa cama pra ver se consegue dormir.
Mais tempo se passa e a situação não muda.
É Claro, um copo de água vai resolver. Vou tomar um pouco... Quem sabe o calor passa.
Devagarzinho, para não acordar ninguém, vai até a cozinha. Vai pegar uma água na geladeira e a jarra está vazia. Sempre tem um dentro de casa que não presta nem pra encher uma simples jarra de água. O negócio é apelar pra natural, o que não vai adiantar nada, pois o calor vai continuar.
Dois copos e meio depois, apaga a luz da cozinha e vai com toda a calma do mundo até o quarto. o impressionante é que quanto mais quieto você quer ser, mais estrala o chão, mais você chuta os móveis, tropeça, enfim, quanto mais quieto, mais barulho.

Novamente você está na cama. E o tempo passa e você não consegue dormir do mesmo jeito. Agora é a vez de ir ao banheiro, que é uma etapa que não pode faltar nas noites sem sono. Vai lá, termina, volta, deita de novo e tenta dormir.
Mais um tempo razoável rolando na cama. Você querendo dormir sem sono, com um calor que te faz transpirar e já com certa raiva de tal situação.
Olha no relógio. 02:47 da madrugada. Pense pelo lado bom, você está de ferias, amanha não precisa acordar cedo. Vira pro lado, e fecha os olhos. Nada do sono chegar. Passa o tempo, e você acha que passou uma hora. O relógio marca 2:55. Nem 10 minutos ainda. Chega!
Levanta-se e vai até a sacada, que é um meio de pensar no dispensável, viajar nos seus pensamentos e esquecer o que te deixa aflito.
Inúmeras janelas podem ser vistas da sacada. No entanto, como diz a hora de uma segunda-feira, teoricamente deveriam estar todas apagadas. No entanto, duas estão ligadas, no mesmo andar, devem ser do mesmo apartamento. Pena que a posição do prédio me impede de ver o que acontece lá dentro. Provavelmente é outro que perdeu o sono. O que será que ele está fazendo? Bom, pior que um texto, não deve ser. Na TV deve ter algum filme velho. Mas hoje é segunda, na Globo passam filmes nacionais na segunda. Sei lá. Ele deve estar que nem eu. Ele? Pode ser uma mulher. Não sei.
Acendeu uma luz lá no outro prédio. Mais um perdido na noite. Só que é muito estranho. Aquele prédio é comercial. Acho que não estava acesa antes. Essa da pra ver. Tem uma porta de madeira e metade da janela é tapada por, o que me parece de longe, um arquivo de metal. Aqueles muito velhos. Não vi ninguem lá dentro.
Apagou a luz. Não consgui ver ninguem. O que alguém faria no escritório, três horas da manha? Se eu começar a pensar muito nisso, ai que não durmo mesmo. Ele pode estar roubando arquivos do escritório, podia estar sabotando prestações de contas pra não aparecer que roubou dinheiro do chefe, podia ta até colocando uma bomba no escritório. Vai saber... Esse mundo de hoje ta perdido mesmo. Não duvido de mais nada.
O pior é se amanha ou depois aparecer alguma coisa no jornal falando sobre isso."Inquérito policial sobre sabotagem em escritório." ou até mesmo, "Encontrado morto, (pessoa qualquer) em seu escritório".
Um carro passou aqui na rua. Deve ser o assassino, saindo com algo importante nas mãos, ou até mesmo sangue nelas. E o pior, "sem" testemunhas. Não deu pra ver seu carro. Que mistério.
Mas enfim, essa noite ficou muito mais seria do que achei que ia ser para uma pacata segunda-feira. Espero que não seja nada disso que imaginei e que nada dos meus pensamentos se tornem realidade.
Boa Noite.

5 comentários quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O que fazer quando a saudade bate?
Impressionante como tão pouco tempo pode fazer tanta diferença.
Eu poderia citar nomes de quem eu cada vez mais me aproximo, bem como poderia citar quem nunca mais troquei uma palavra.
Mas há pouco comecei a sentir que são meus amigos (as) verdadeiros.
Após seis meses longe, ainda me sinto extremamente apegado a veeeelha cidade, onde construi uma vida lá. Foram praticamente 16 anos. 13 no mesmo colégio, três de ordem DeMolay, onde tenho meus grandes irmãos lá, e uns dois de sair para festas à noite e conhecer gente, tive uma dupla sertaneja, casei, enfim...
É a minha vida. Enquanto lá era "o Palla", aqui é "o Gustavo..." mas... que Gustavo, mesmo?
Ser apenas mais um entre tanta gente é desanimador. Olhar para os lados, e não conhecer ninguém, é mais ainda.
É... Se alguém ainda lê essa palhaçada, saiba que mudanças são ruins! Você deixa uma vida para trás e não sabe o caminho trilhar para não se perder. São poucas as pessoas boas. E o pior de tudo é que são muitas ruins, de ma fé, e de índole suspeita, que podem furar o teu olho, tentar fazer você se perder, e nem se sentir mal com isso.
Porém não poderia deixar de ressaltar que fiz grandes amizades aqui. Isso tem que estar explicito. Além disso, por intermédio desse medíocre blog, há exatamente dois meses, achei uma grande pessoa, que também não poderia deixar de citar, e se ela estiver lendo isso, saberá de quem estou falando.
Mas, ainda assim, acho que ainda tem mais pessoas que realmente não esquecerei, lá, no veeelho oeste.
Acho que Caçador merecia um pequeno texto aqui também.
Após essa noite de pura depressão, sinto que cada vez mais eu estou me afastando dessa pequena cidade, mas a amizade que cresce, com os poucos que restaram, cada vez mais se concretizam e se tornam maiores.
Quem for ler isso, sabe que é uma pessoa importante pra mim, afinal, poucos tem saco de ler isso ate o fim. Saiba que tenho vontade de abraçá-lo (a), mas como a distancia não permite, deixo apenas uma mensagem.
"A distancia afasta as amizades medíocres e aproxima as verdadeiras."